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| Hobbes
A concepção política individualista de Hobbes sobre o homem será essencial para sua definição sobre a sociedade. O indivíduo hobbesiano se caracteriza por possuir interesses; sendo o principal deles o desejo de exercer domínio sobre outros homens. A este tipo de ação o autor denomina de “liberdade”, utilizando tal palavra em um sentido bastante específico. Trata-se, aqui, da “ausência de impedimentos externos” (XIV), ou seja, de qualquer limitação que empeça o exercício da autonomia que cada um possui como homem livre. O que está em jogo, aqui, é tão somente definir um universo em que os homens, uns em relação aos outros, podem dispor de possibilidades absolutas para o exercício de seu poder. Diferente da concepção lockeana, esta situação não implica em direitos. Qualquer associação, assim, é sempre artificial: entre homens, todo tipo natural de acordo dificilmente pode ser imaginado. Em grande parte, esta situação se dá pelo fato de que, nesta concepção sobre o indivíduo, o interesse individual é sempre diferente do interesse do interesse comum. Sendo as ações de cada indivíduo, devido a sua natureza, sempre orientados para o interesse próprio – e sempre distintos – as divergências serão, assim, cotidianas. Afinal, como imaginar que seja possível algum tipo de concordância já que os homens seguem sempre seus próprios interesses, divergentes uns dos outros? A finalidade da sociedade, ou nos termos de Hobbes, da Commonwealth, é a preservação de cada homem sobre estes apetites alheios: a decisão que leva os homens a se associar deriva do temor sobre a própria condição neste estado de perfeita liberdade. Abrir mão desta situação é abrir mão da sua própria capacidade individual de exercer poder. O pressuposto é que estes homens individuais se privam da autoridade que possuíam; eles na verdade delegam este poder para um conjunto restrito de homens durante o processo de fundação da sociedade. Esta capacidade se transfere, a partir daí, para outro foco de autoridade – denominada soberana – que irá exercê-la no lugar de todos os demais, possibilitando às pessoas a chance de escapar das incertezas do estado de natureza.
Bibliografia: |
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